“ A condição humana”, de André Malraux, 1933
Edição Livros do Brasil, tradução de Jorge de Sena
Eis um fragmento:
“ – O pensamento que se aplica a elucidar uma mulher tem qualquer coisa de erótico…Querer conhecer uma mulher, não é, é sempre uma maneira de a possuir ou e se vingar dela…
Uma «pega» qualquer, na mesa próxima, dizia a outra: «- Não ma pregam assim tão facilmente como isso. Vou dizer-te: é uma mulher que tem ciúmes do meu cão».
– Eu creio – tornou Gisors – que o recurso ao espírito tenta compensar isto: o conhecimento de um ser é um sentimento negativo: o sentimento positivo, a realidade, é a angústia de se ser sempre estranho àquilo que se ama.
– Alguma vez amamos?
– O tempo faz desaparecer por vezes essa angústia, só o tempo. Nunca se conhece um ente, mas deixamos por vezes de sentir que o ignoramos (penso no meu filho, não é, e também… num outro rapaz). Conhecer pela inteligência é a tentação vã de passar sem o tempo…
– A função da inteligência não é a de privar-se das coisas.
Gisors olhou para ele:
– Que entende por: a inteligência?
– Na generalidade?
– Sim.
Ferral reflectiu.
– A posse dos meios de forçar as coisas ou os homens.
Gisors sorriu imperceptivelmente. De cada vez que fazia aquela pergunta, o seu interlocutor, quem quer que fosse, respondia com o retrato do seu desejo. “



1 comentários:
Mmmmm!!!! Gostei do sorriso imperceptível de Gisors!
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